18/03/2007

Os Actos em poucas linhas...

Os "Actos dos Apóstolos" são uma catequese sobre a "etapa inicial da Igreja", isto é, sobre a forma como os discípulos assumiram o continuaram o projecto salvador do Pai e o levaram - após a partida de Jesus deste mundo - a todos os homens. O livro divide-se em duas partes. Na primeira (Act 1-12), a reflexão apresenta-nos a difusão do Evangelho dentro das fronteiras palestinas, por acção de Pedro e dos Doze; a segunda Act 13-28), apresenta-nos a expansão do Evangelho fora da Palestina (até Roma), sobretudo por acção de Paulo.
A primeira parte dos "Actos". Insere-se numa perícopa que descreve a actividade missionária de Pedro na planície do Sharon ( Act 9,32-11,18) - isto é, na planície junto da orla mediterrânica palestina. Em concreto, o texto propõe-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesareia, em casa do centurião romano Cornélio. Convocado pelo Espírito (Act 10,19-20), Pedro entra em casa de Cornélio, expõe-lhe o essencial da fé e baptiza-o, bem como a toda a sua família (Act 10,23b-48). O episódio é importante porque Cornélio é o primeiro pagão a cem por cento a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze: significa que a vida nova que nasce de Jesus se destina a todos os homens, sem excepção
Na segunda parte é narrado os “Actos” da missão de Paulo, isto é claro é visto a maneira como Paulo actua depois da sua conversão.
Os Actos descrevem o anúncio da Boa-Nova de Jesus, após a sua ressurreição.
Esta Boa-Nova destina-se a todos os povos, mas um dos temas principais deste livro é passagem do anúncio apenas dentro do mundo judaico para o mundo pagão.

"Eu plantei, APOLO regou"

A biografia de Apolo aparece em Act 18, 24-27. Era conhecido como um bom colaborador de Paulo. A sua actividade missionária exerceu-se entre Corintio e Éfeso. Apolo era um judeu, natural de Alexandria. Tinha convertido ao cristianismo pelo baptismo de João. Ora, o baptismo de João é um baptismo com água e não de Espirito. Esta ausência do Espirito Santo no seu baptismo fez com que a sua pregação tornasse incompleto. Estava de facto instruido no caminho do Senhor.
Em Éfeso, Apolo era conhecido como um bom pregador. Falava com entuasiasmo e ensinava de uma forma muita exacta acerca de Jesus, mas faltava-lhe o baptismo de Espírito Santo. Ora, a comunidade de Éfeso é uma comunidade que ignoram a exsitência do Espírito Santo, porque receberam só o baptismo de João. Ao ouvir que Apolo estava a pregar em Éfeso, e vendo o seu baptismo era apenas o de João, foram portanto, Priscila e Aquilo ter com ele e levaram-no para lhe explicar melhor sobre o caminho de Deus. Assim que a sua pregação torna-se mais completa.
A actividade de Apolo marca também a cidade de Corintio. Alí, alcançou-se um êxito tão grande que os corintios o puseram em plano de igualdade com Pedro e Paulo. O debate dos corintios sobre a sua identidade chamou a atenção de Paulo. Perante este, Paulo afirma que nenhum dos três (Pedro, Paulo e Apolo) é maior. Quem segura a missão de Deus é o póprio Deus, disse Paulo. Mas, para facilitar a compreensão de gente sobre a identidade de Apolo, Paulo explicou a sua posição. Disse-lhes que Apolo não é mais do que Ele. Apolo apenas um dos seus colaboradores. "Eu plantei, Apolo regou", (1 Cor 3,6).

Actos dos apostolos

Os actos iniciam-se com a Ascenção, algo que desde o inicio da narração, dá ao leitor a precessão de tudo o que os apostólos estavam a viver, com a partida de Jesus.
S. Lucas durante todo o texto vai ter a precupação de descrever todos os pormenores desde as pessoas em causa, ao lugar, entre outras muitas discrições que os actos nós irão contar.
Grande é a narrativa, onde vamos ouvir falar de Paulo e das suas viagens, que serão a grande base da narração dos Actos dos Apóstolos.

Lídia (Act.16,11-15.40)

Lídia, nome mais grego que judeu, é uma personagem que me despertou a atenção. Diz-se que “é adoradora de Deus”, o que nos pode levar a pensar que seria uma pagã atraída pela sinagoga, que não existia em Filipos e por isso, se encontrava com outras mulheres, em dia de Sábado, num lugar junto ao rio onde decorria a oração.

Lídia é-nos descrita como negociante de púrpura da cidade de Tiatira, cidade importante pela industria têxtil. E também percebemos que tem casa própria. Tudo isto é revelador do seu sucesso e posição social, pois a roupa púrpura era usada pelos ricos e pela realeza no tempo dos romanos, pessoas com as quais Lídia se relacionava.

O texto diz que esta os escutava e que “o Senhor lhe abrira o coração para que ela atendesse ao que Paulo dizia”, ou seja, mostra a sua abertura, disponibilidade para acolher o Evangelho e depois, Paulo e os outros em sua casa. Assim, a hospitalidade e a responsabilidade, como primeira convertida (dando a entender que por meio dela foi baptizada a sua família) e líder da Igreja de Filipos, são duas características de Lídia e importantes para o cristianismo que se encontrava em expansão. Por outro lado, Lídia testemunha o cristianismo que penetra nas camadas influentes da sociedade e qual é a verdadeira riqueza que a todos enriquece: Jesus Cristo!

Actos dos Apóstolos

O final do Evangelho e o início dos Actos dos Apóstolos manifestam bem o respeito que Lucas tem pela regra de colocar o material histórico segundo uma ordem que distingue acontecimentos, garantindo, assim, a sua continuidade. Deste modo, a introdução ao livro dos Actos retoma o final do Evangelho que orientam a atenção para a missão cristã.
Os cinco primeiros capítulos descrevem a vida do grupo. Os discípulos escolhem Matias para reconstituir o colégio dos doze, e é cumprida a promessa de Jesus que enviaria o Espírito Santo, marcando assim o início da actividade apostólica, o anúncio do Evangelho.
Este anúncio, contudo, casou descontentamento diante dos judeus. Este facto está bem comprovado no martírio de Estêvão. Com medo das autoridades judaicas, os primeiros cristãos dispersaram-se e começaram a anunciar a Boa Nova noutras terras. É neste contexto que surge a conversão de Saulo, perseguidor da Igreja. A caminho de Damasco, este é surpreendido por uma luz e voz de Cristo e, a partir dessa experiência, Saulo torna-se testemunho de Jesus ressuscitado. Daí, começam as suas viagens missionárias, juntamente com Barnabé, a Chipre, Ásia Menor, Antioquia da Pisídia, Icónio e Listra.
Esta viagem termina com a controvérsia em torno da Lei de Moisés, no que diz respeito à circuncisão dos pagãos que se convertiam ao cristianismo. Por este motivo, reúnem-se os Apóstolos e os Anciãos de Jerusalém. Como resultado dessa reunião, os pagãos que abraçaram a fé não se viram obrigados a outras normas além da abstinência de carnes imoladas aos ídolos e imoralidade.
A outra viagem iniciou-se com o conflito entre Paulo e Barnabé. Por isso, nesta viagem a Macedónia, Filipos, Tessalónica, Bereia, Atenas e Corinto, Paulo contará com a companhia de Silas. Posteriormente, na terceira viagem missionária, a Éfeso, atravessando a Macedónia e a Grécia, continuando a Mileto, Tiro e Cesareia, antes de chegarem a Jerusalém. Por causa das inúmeras conversões, inicia-se a perseguição a Paulo. Seus ensinamentos são acusados de serem contra a Lei de Moisés e profanadores do templo. Como resultado destas acusações Paulo sofrerá o martírio, não sem antes ter chegado a Roma onde anunciou aos habitantes desta cidade o Evangelho de Jesus.

O aleijado (Act 3,1s)

O aleijado é um homem de mais de quarenta anos. Ele costumava estar à entrada do Templo, à porta Formosa, para pedir esmola. No dia da sua cura em vez da esmola, ele recebeu a cura, no nome de Jesus Cristo, através de Pedro e João. Depois foi seguindo Pedro e João, saltando e louvando a Deus. Ele é um simples mendigo que naquele dia esteve a pedir sem saber o milagre em nome de Jesus, o Ressuscitado. Aparentemente ele não nos parece desempenhar uma função importante. Se nós ficamos por aqui ficaremos privados do mais importante deste trecho. Pois desta cura depende o discurso de Pedro, em que ele referiu a “este homem” três vezes (Act3,12. 17) cuja cura Pedro atribui a Jesus Nazareno. Pedro e João compareceram perante o Sinédrio por causa do anúncio deste milagre feito em nome de Jesus, e preferiram obedecer a Deus que aos homens. A oração dos fiéis também tem como causa remota a cura deste homem. Há uma conexão entre a fé dos Apóstolos e a cura deste homem. Pois ela (a cura) aparece aqui como uma instância que confirma e leva para frente a fé de Pedro e João no nome da pessoa Jesus Nazareno. É o primeiro milagre após o Dom do Espírito Santo. E parece aqui a legitimar a missão dos Apóstolos e consolidar o grupo dos fiéis na oração.

ACTOS: quando se é testemunha

ACTOS: Quando se é testemunha
O livro bíblico dos Actos dos Apóstolos constitui uma obra histórico- teológica neo-testamentária maravilhosa atribuída, pela Tradição, ao Evangelista Lucas que, ao não se contentar com o que estava disponível para a formação da comunidades cristãs pré- constituídas, decide, e entende ser fundamental, testemunhar por escrito, que Jesus Cristo era algo mais que um acontecimento histórico. Havia testemunhas (umas com maior relevo que outras) não só as que tinham convivido com Ele, mas também as que se convertiam, depois de lhes ser anunciada a Palavra de Deus (judeus, pagãos, helenistas…) professando que Jesus, Aquele que fora morto numa Cruz, era realmente o Messias e o único Salvador.
Este, o conteúdo do nosso livro, com uma presença significativa à volta do discípulo Pedro depois da ascensão de Jesus, e de Paulo após a sua conversão: a descrição, com um sentido espiritual, da vida exemplar das primeiras comunidades cristãs e seus chefes, os primeiros confrontos com o judaísmo e o paganismo, as primeiras conversões e baptismos, as primeiras perseguições, prisões e martírios cristãos, os primeiros discursos exortativos e escrita de decretos apostólicos, as primeiras viagens missionárias e fundações de igrejas além- Jerusalém, etc.