11/05/2007

Resumo 'Actos'

O autor dirige a Teófilo a narração sobre aquilo que aconteceu com Jesus: desde o início até quando foi arrebatado ao céu; como Jesus apareceu aos seus apóstolos depois de sofrer a Paixão, falando-lhes do reino de Deus; e como preanunciou a vinda do Espírito santo, para serem Suas testemunhas em Jerusalém, na Judeia, na Samaria, e até ao fim do mundo. Por fim, elevou-Se aos céus.
Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão o zelador e Judas, irmão de Tiago, e ainda Matias, juntos em oração com Maria, mãe de Jesus, e outras mulheres, receberam cada um umas línguas de fogo: ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar várias línguas.
Os Apóstolos anunciam a salvação em Jesus Cristo, operam milagres e curas, são perseguidos e presos pelos príncipes do povo e pelos anciãos, e muitos acreditam neles.
Depois do martírio de Estêvão, quando Saulo perseguia a Igreja em Jerusalém, a caminho de Damasco, inundou-o uma luz fulgurante vinda do céu; Jesus anuncia-lhe, por meio de uma visão, que deve levar o Seu nome aos gentios, aos reis e aos filhos de Israel. Logo começou a pregar nas sinagogas que Jesus era filho de Deus.
Pedro, em Jope, cai em êxtase, e vê do céu um objecto semelhante a uma grande toalha, com vários animais. Pedro, ao apelo da voz, recusa comer os animais impuros, que a voz afirma ser puro por Deus assim o ter declarado.
Em Antioquia, alguns homens, de Chipre e de Cirene, anunciavam o Senhor aos gregos, e muita gente se converte. Saulo e Barnabé confirmam e instruem a comunidade dos “cristãos” que dispersou de Jerusalém depois da morte de Estêvão.
Tiago, irmão de João, é morto à espada pelo rei Herodes.
O Espírito Santo envia Barnabé e Saulo a testemunhar o evangelho de Cristo. De regresso a Antioquia, são confrontados com a disputa sobre a necessidade da circuncisão para os gentios; os apóstolos e os presbíteros decidem por dar razão a Paulo. Este, junto com Silas, e depois com Timóteo, realiza a segunda grande viagem. Na última viagem, de regresso a Jerusalém, acaba por ser preso no Templo, pelos judeus da Ásia, por ter desrespeitado a lei mosaica relativamente à circuncisão. Apelando da sua inocência a César, as autoridades romanas levam-no para Roma. Preso em domicilio, lá permanece durante dois anos, falando de Jesus e do Seu evangelho a todos os que o visitavam.

O Criador

Anuncio que a palavra escolhida para o meu estudo é «o Criador», conforme aparece em 1 Pd 4, 19: «Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem». Deus é sempre no Novo Testamento «o Criador» mas, de facto, o único documento que utiliza este vocábulo (Ktiste) é precisamente 1 Pd 4,19.

10/05/2007

ALEGRIA

A palavra que escolhi para acompanhar o estudo da Carta de São Tiago e da I Carta de São Pedro é a palavra ALEGRIA, juntando obviamente o verbo ALEGRAR(-SE).
A Alegria -Cará aparece em Tiago 1,2 e 4,9 e na I Pedro aparece em 1,8. O verbo Alegrar Cairw aparece em Tiago 1,1 e I Pe 4,13.
O cristianismo das origens colide sempre com a realidade que encontra, há um impacto vital: assim foi numa primeira época com o judaísmo, numa segunda com o helenismo, e numa terceira com o Império Romano. E assim continua a ser há dois mil anos! Perante os impactos, a atitude dos cristãos deve ser a alegria, em todas as situações, mesmo nas mais adversas. A isso exortam as Cartas visadas neste estudo. O cristianismo nascente tem que ser marcado pela alegria, sob o risco de sucumbir ao desânimo.
Mas o que é a alegria? É de facto preciso ser alegre quando se faz a experiência de Cristo? Há motivos para ser alegre? Quais é que a Carta de São Tiago e a I Carta de São Pedro apresentam? E mesmo perante as adversidades? Porque é que estes textos cristãos das origens exortam à alegria?
É este o caminho que espero poder fazer com esta palavra, sem sucumbir ao desânimo de tanto trabalho!!!

Obediência

Obediência

É uma virtude moral, radicada na virtude cardeal da justiça, que leva a reconhecer a autoridade dos superiores legítimos e a cumprir os seus mandatos num contexto de ordem social. Não há grupo (família, empresa, nação, etc.) que possa subsistir e firmar-se sem uma autoridade e sem obediência cooperante dos seus membros. A verdadeira obediência deve ser livre, e não cega, embora não tenha de conhecer todas as razões do mandato do superior, depositando nele a devida confiança. Obedecer faz parte da educação cívica, social, familiar, cristã e levando ao cumprimento inteligente das leis, com a consciência de assim contribuir para o bem comum. É que tal obediência reclama da parte do superior honestidade e competência no exercício da sua autoridade. Um dos três conselhos evangélicos assumidos mediante voto ou promessa por quem opta pela vida consagrada ( religiosos e outros) é o da obediência ( aos superiores, ás regras de vida). O cumprimento deste voto, além do valor da virtude da obediência, tem o valor anexo da virtude da religião.
Em Tiago 2,8; 3,3; 4,7; 4,11; 5,16, e 1Ped.1,2,14,22; 2,12-13, 17-18,3,6, encontramos a palavra obediência, que é relevante tanto para Tiago como para Pedro.
Tiago emprega esta palavra a todos os eleitos, para cumprirem a Lei do Reino de Deus, submeterem-se a Deus, resistindo ao demónio.
Pedro dirige-se directamente aos peregrinos na diáspora, considerados estrangeiros, para obedecerem aos seus senhores, não só aos bons mas também aos severos, ás instituições humanas, ao soberano, rei, governador, mas tudo por amor do Senhor.
É sabida a maneira como um estrangeiro é tratado: sem direito ao bom trabalho, quando aparece é dos mais desprezível, salário mísero, sem liberdade de expressão. Em alguns casos, sem direito de se casar com mulher ou homem daquele pais. A única forma de permanecer ali, é só obedecer como aconselha Pedro. Dizer sempre sim, mesmo que as vezes é necessário dizer não.



Lisboa, 10 de Maio de 2007

Palavra escolhida - Adelphos

A palavra que eu ecolhi é a palavra Adelfos (irmão).
Em primeiro lugar porque é uma palavra que aparece muito, principalmente na Carta de Tiago, em segundo lugar por achar que se trata de uma palavra importante para compreender aquilo que foram as primeiras comunidades cristãs.
De facto, e apesar dos problemas, como nos apresentam os escritos dos inícios do cristianismo, os cristãos viviam verdadeiramente como irmãos

09/05/2007

RIQUEZA

Eis um tema que o autor da carta de S. Tiago tem necessidade abordar, logo a seguir à exortação da resistência dos seus irmãos nas provações: o perigo das riquezas e de um comodismo que a sociedade pode convidar, e levar consequentemente a um afastamento de Deus.
Entre um conjunto de ditos, sublinha- se a importância dos ricos se precaverem e de os pobres se abandonarem na misericórdia de Deus. Abordado três vezes no nosso escrito, este tema dá-lhe uma identidade única no conjunto das cartas católicas onde não aprece nenhuma vez.
Ao dirigir-se aos ricos adverte-os a chorar em altos gritos por causa das desgraças que virão sobre eles. (Tg 5, 1) e a se humilharem na sua “secura” (Tg 1, 9-11). O seu ouro enferrujará pois quem sabe ele não será fruto do salário que não pagaram aos trabalhadores… (Cf Tg 5, 1- 6).
Aos pobres, Tiago conforta-os a se manterem na sua condição paciente e humilde, pois Deus que é misericordioso e compassivo (Cf 5, 11) escolheu os pobres (a quem ama) segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino. (Tg 6, 5- 6).
A todos adverte a não fazer acepção de pessoas. ( Tg 2, 1. 9).


Justiça II

O mais curioso deste exercício ao ler as 2 cartas tendo por referência a palavra escolhida – justiça – foi constatar algo que me surpreendeu...
É curioso que, pelo menos a partir deste campo semântico, Tiago e 1Pedro parecem quase ser escritos em diálogo, ou em forma de jogral, ou ainda como a luz e o seu reflexo.
Assim, Tiago faz uma interpelação aos cristãos do seu tempo para a vivência da verdadeira justiça e Pedro responde com o próprio Deus, como Aquele que é a fonte da justiça, ou com a vida de Cristo que, enquanto homem concretiza a justiça divina.
Faço, verdadeiramente, uma experiência impressionante e arrepiante ao ler estes dois textos em paralelo, pela densidade que daí se percebe...muito mais forte do que lê-los, independentemente, um do outro.
Façam a experiência, e digam alguma coisa...não vá eu estar com alguma alucinação teológica, e isto ser tudo fruto da minha imaginação!