23/05/2007

História da Galácia

A história desta região, a partir do século III a.C., mostra que houve muitas mudanças nas fronteiras e nas afiliações políticas desta região estratégica. Parece que, por volta de 278-277 a.C., um grande número de celtas da Gália ou gauleses, que os gregos chamavam de Galátai (daí o nome desta região), atravessaram o Estreito do Bósforo e se estabeleceram nesta região. Trouxeram consigo suas esposas e seus filhos, e evidentemente evitavam casar-se com o povo já existente ali, perpetuando assim suas características raciais durante séculos. Eles ainda falavam sua língua gálata, de origem celta, no tempo de Jerónimo (347–420 d.C.), o qual descreveu que o gálatas de Ankara e o povo de Trier (localizada no que é hoje a Renânia alemã) falavam uma língua muito semelhante. Seu último rei, Amintas, morreu em 25 a.C., e foi durante o seu reinado como títere do Império Romano, e posteriormente, que a região denominada Galácia foi ampliada para incluir partes da Licaónia, da Pisídia, da Paflagónia, de Ponto e da Frígia.

Parte meridional da província romana da Galácia

Galácia era uma província romana que ocupava a parte central do que agora é conhecido como a Ásia Menor. Era limitada por outras províncias romanas — em parte pela Capadócia, ao Leste, pela Bitínia e Ponto, ao Norte, pela Ásia Menor, ao Oeste, e pela Panfília, ao Sul. Situa-se num planalto entre os Montes Tauro, ao Sul, e os Montes da Paflagônia, ao Norte. Na sua parte norte-central, ficava a cidade de Ancira, agora chamada Ankara, capital da Turquia. E através desta região passava o curso médio do Rio Hális (o actual Kizil Irmak) e a parte superior do Rio Sangarius (Sakarya), que desembocavam no Mar Negro.

O que era Listra?

Listra era uma cidade da Licaónia. Licaónia ou Licónia foi uma província romana, uma região da Ásia Menor em que se falava o idioma local – o licaônico (Actos 14, 6-11).
As fronteiras da Licaônia variaram consideravelmente no decorrer da sua história e não há certeza delas. Basicamente, no período em que a Licaônia figura no registro bíblico, ela ficava na parte meridional da província romana da Galácia, e era limitada pela Pisídia e pela Frígia ao Oeste, pela Capadócia ao Leste, e pela Cilícia ao Sul.
Esta região consiste numa planície sem árvores, com pouca água. Antigamente, porém, era razoavelmente produtiva e oferecia suficientes pastos para um grande número de ovelhas.
O apóstolo Paulo visitou Derbe e Listra (Licaônia), durante a sua primeira e a sua segunda viagem missionária. Talvez parasse ali também na terceira jornada missionária ao viajar "de lugar em lugar através do país da Galácia"(Actos 14, 6. 20. 21; 16,1; 18,23).

Onde fica Listra?

Listra fica a 100 km a nordeste de Derbe, a uns 2 ou 3 dias a pé,
e a 35 kilómetros a sul de Icónio, do que é hoje Konia.

Julgar - Julgamento


“É tempo de começar o Julgamento pela casa de Deus” (1Pe 4,17)

O verbo Julgar surge 3 vezes na 1ª Carta de Pedro e 8 na Carta de Tiago. Se tivermos em conta também os termos Julgamento, juízo e juiz as ocorrências são um pouco mais significativas: 1ª Carta de Pedro (6 ocorrências no total) - Julgar (crinw): 1Pe 1,17; 2,23; 4,5. Julgamento (crisis): 4,17. Juízo(crithrion): 4,6 (2x). Juiz: não tem. Carta de Tiago (11 ocorrências no total) - Julgar (crinw): 2,4; 2,12; 4,11 (3x); 4,12; 5,9. Julgamento (crisis): 3,1. Juízo (crithrion): não tem. Juiz: 4,11; 4,12; 5,9.
Apesar de o número de ocorrências não ser tão significativo comparativamente a outros termos, contudo não se deve deduzir a importância do termo Julgar no interior do texto a partir deste dado quantitativo. Na verdade, este termo e tema está profundamente ligado à realidade escatológica da vinda definitiva do Messias. Esta perspectiva teológica, como pode constatar-se, está presente em grande parte dos escritos do Novo Testamento, sobretudo posteriores aos Evangelhos. Deve igualmente ter-se presente que o tema do julgamento, o qual faz parte da história das religiões e também do Antigo Testamento, tem especial importância e ganha um novo dinamismo, centrado na vinda definitiva de Cristo, ao longo de todo o Novo Testamento.
Por tudo isto, parece-me um termo e um tema que se encontra profundamente presente no horizonte das comunidades cristãs nascentes e que, consequentemente, pauta todo o seu agir e vivência da fé.

22/05/2007

Barjesus em contraposição ao procônsul Sérgio Paulo

Antes da chegada dos missionários a Chipre, convivia na cidade de Pafos “um certo homem, mago de profissão, falso profeta judeu”, chamado Barjesus, com um pagão, o procônsul Sérgio Paulo, homem inteligente” (Act 13,6-7a). Barjesus, introduzido com a típica formula lucana reservado a personagens simbólicas ou representativas (cf. em grego: Lc 2,25; Act 13,6), é apresentado como “filho/discipulo de Jesus”.
Estes dois personagens representam duas posições contrapostas. O primeiro, Barjesus, encarna o falso messianismo do judaísmo crente em Jesus como podemos observar nos nomes atribuídos à personagem: a) “magos”- mago, qualifica negativamente o personagem de sedutor que fascinava pelas suas artes de magia, fazendo assim prodígios que atraíam toda a gente, como Simão Mago em Act 8,9.11; b) “pseudoprofetes”- Falso profeta, significa que pregava um falso messianismo que alienava as pessoas, apresentando Jesus como um Messias vitorioso, sumptuoso; c) “Bariesous”- Barjesus, é apresentado como “filho/seguidor de Jesus”, mas apenas de nome porque na realidade não o é, pois é mago e falso profeta. A razão deste nome é que naquela época o nome de Jesus seria um nome comum entre os judeus.
O segundo, em contraposição ao primeiro, encarna o paganismo atento a escutar a “mensagem de Deus” (13,7b) como podemos verificar pelos os nomes e características: a) Sergius Paulus, são dois nomes latinos. O primeiro gentílico e o segundo patronímico; b) “ o procônsul”, mencionado três vezes de forma determinada (13,7.8.12), é uma personagem que representa, como indica o seu nome, o paganismo romano que nada tem haver com o judaísmo; c) “inteligente” qualifica positivamente o procônsul como um homem determinado ao contrário do mago alienado por práticas religiosas judias.

Érgon na Primeira Carta de S. Pedro

Segundo 1,17, somente subsistirão diante de Deus aqueles fiéis que derem provas evidentes da fé pela obra. Observe-se que S. Pedro utiliza o singular katà tò ékástou érgon (segundo a obra de cada um), onde cada um será julgado segundo a sua obra, ou seja, pelo procurar cumprir no dia a dia a vontade de Deus, que tantas vezes passa pela realização silenciosa das obrigações quotidianas.

Os fiéis não devem, apenas interiormente, dar provas da sua condição de sacerdotes régios, mas devem demonstrá-la também pelo seu exterior (2,12): Seja o seu procedimento tão bom, a ponto de chamarem sobre si as atenções dos outros. É urgente pregar por obras e que estas sejam irradiação da nobreza interior, espiritual; pois todos sabemos que mais importante que as palavras é o testemunho, é a pregação por actos. Aqui, o objectivo último da pregação não está na conquista do pagãos para o cristianismo, mas sim, no aumento da glória e do louvor de Deus no ev eméra episkopes (dia da visitação).