10/03/2007

O livro dos actos dos Apóstolos em poucas palavras


O livro dos actos dos Apóstolos relata os eventos que se sucederam na Igreja cristã primitiva, mostrando como a fé se propagou no mundo mediterrâneo de então. Trata-se dum Livro de 28 capítulos cuja autoria foi atribuída a Lucas pela tradição. Os actos dos Apóstolos trazem no primeiro capítulo, o relato sobre os últimos dias de Jesus com os discípulos antes da ascensão. Ao longo destes 28 capítulos estão relatadas as actividades de Pedro e de Paulo, e dos seus companheiros.
Na Igreja de Jerusalém, depois da eleição de Matias, os apóstolos receberam o Espirito Santo (1,12-6,7), Pedro anuncia a Palavra, cura um aleijado e um paralítico, ressuscita Tabitá e todos vivem uma vida em comum, partilhando os bens. Ananias e Safira morreram por ter sido infiéis a este ideal (Act 5,1ss).
Por causa dos milagres feitos em nome do ressuscitado, os apóstolos vão sofrer muitas vezes a prisão mas pela a intervenção divina vão se encontrar em libertação. Gamaliel intervém a favor dos apóstolos. A prisão e o martírio de Estêvão marcam a expansão da Igreja fora de Jerusalém (6,8-12,25). Paulo entra em cena, no primeiro momento como testemunha do martírio de Estêvão. Pouco ao pouco, do feroz perseguidor dos cristãos, Paulo torna-se o apóstolo de Jesus ressuscitado e coloca-se ao serviço do Evangelho. A sua missão fora de Jerusalém consiste em três grandes viagens, [1ª viagem (13,1-14,28), 2ª viagem (15,35-18,22), 3ª viagem (18,23-21,26)] durante as quais, Paulo com Barnabé, e depois com Silas pregaram o Evangelho aos gentios. Paulo, assim como Pedro, com a força da Palavra vai realizar os milagres e cura, e ressuscitar um jovem morto…

ACTOS DOS APÓSTOLOS: REALIDADE DA IGREJA PRIMITIVA

O livro dos Actos dos Apóstolos distingue-se pela sua singularidade dentro de toda a obra do Novo Testamento. O Concílio de Jerusalém (15, 6-29) parece ser o centro teológico do livro.
Na leitura dos Actos, nota-se que o conteúdo desde livro não é uniforme, embora tenha uma sequência lógica. Os primeiros doze capítulos falam da actividade de Pedro na Igreja-Mãe de Jerusalém e na Palestina, ao passo que os restantes capítulos (13-18) apresentam um relato mais uniforme, à volta das viagens de Paulo; poderíamos chamar esta parte de: “Actos de Paulo”.
Ao longo do livro há vários temas que se repetem ao longo de toda a obra: o Espírito Santo, a Igreja, os homens e o próprio Jesus.
O Espírito Santo está presente em toda a obra. Ele está presente no tempo de Israel (Evangelho da Infância), no tempo de Jesus (baptismo, tentações e apresentação em Nazaré) e no tempo da Igreja (Ascensão e Pentecostes). O Espírito Santo apresenta-se como o animador da Igreja, o orientador das testemunhas e da actividade missionária.
O autor narra a história de Jesus como uma vida que se desenrola segundo a vontade de Deus em ordem à Salvação. Sublinha os aspectos salvíficos da Paixão, Morte e Ressurreição.
Os Actos dos Apóstolos revelam vários elementos que caracterizam a realidade da Igreja primitiva. Devemos relacionar a Igreja com Jesus. A Igreja continua a obra de Jesus: se em Cristo se cumpriram as profecias de Israel, na Igreja cumpre-se as profecias da consumação. A Igreja apresenta-se como um exemplo de hierarquia e comunhão. É nela que se encontra a “assembleia dos convocados”.
Os discípulos têm a missão de testemunhar a verdade de Jesus, e de o seguir. São eles que deste o início se reúnem para rezar. A respeito da oração, deve-se recordar que esta ocupa um lugar importante em toda a obra de São Lucas. Os Actos não são excepção, desde o início (Act. 1, 14), revela-se como uma das características das primeiras comunidade. As referências à oração em comum multiplicam-se, assim como as referências a oração dos Apóstolos (Act.3, 1).

Anfitriões de Actos

O Livro Actos dos Apóstolos apresenta um dinamismo de graça onde a acção de Deus movimenta as personagens nas comunidades e no anúncio. O autor de Actos de Apóstolos apresenta Pedro e Paulo como os anfitriões da primeira e segunda partes.
Depois da Ascensão e do Pentecostes os Apóstolos em Jerusalém anunciam Jesus Cristo morto e ressuscitado apresentando já os precedentes de tal acontecimento presentes no Antigo Testamento.
Pedro é confrontado com perseguições e problemas na comunidade que são superados com enorme confiança em Deus e sentido de justiça. Estêvão é aquele que é martirizado e é o testemunho do Cristo que morreu por ele, por nós.
Paulo ou Saulo ou Saúl aparece como um perseguidor numa primeira parte do livro e um convertido em Damasco na segunda parte. A partir daqui não pára a sua acção missionária com Barnabé, depois com Silas. Evidenciam-se muitas comunidades entre as quais Antioquia que é a primeira a chamar aos cristãos, cristãos. A sua evangelização centra-se nos gentios e provoca a inveja dos judeus da Ásia que aproveitam para acusá-lo de “fomentar discórdias e ser cabecilha da seita dos Nazarenos.”
Nos últimos capítulos, apresenta as acusações e ciladas contra Paulo e o tempo que teve em prisão desde Jerusalém, passando por Cesareia até Roma num contínuo anúncio da Palavra de Deus.

Actos dos Apóstolos (resumo)

Os Actos dos Apóstolos são a hitória da Igreja primitiva, fundada na actividade e discusos dos protagonistas principais, Pedro e Paulo. Os actos mostram a Difusão da fé cristã em todos os meios: judeus e pagãos, homens e mulheres, selhores e escravos. Apesar de escrever como teólogo, Lucas faz referência a acontecimentos hitóricos profanos e apresenta assim a história da salvação enraizada num passado conhecido. Dá-nos conta de uma teologia missionária que tem origem em Cristo ressuscitado, na difusão da Palavra da graça de Deus. Mostra também como as Igrejas se estruturam, inventando ministérios. Lucas escreve pelo ano 80. Refere a recusa dos judeus em reconhecerm Jesus como cumpridor do desígnio de Deus. Relata como os pagãos dão ouvido a Boa Nova. Pode-se considerar, resumidamente, cinco partes que constituem os Actos dos Apóstolos: a primeira parte, Act.1,1-5,42, é referente as origens da Igreja de Jesusalém, início da comunidade cristã ligada ao templo e à lei, vida e estrutura da comunidade e as primeiras perseguições. A segunda parte, Act.6,1-12,25, é sobre a perseguição e missão de Jerusalém a Antioquia, Samaria, Judeeia e Síria, conversão de Paulo e perseguição de Pedro. A terceira parte, Act. 13,1-15,35, é sobre a primeira viagem missionária e Concílio de Jerusalém, Paulo e Barnabé na diáspora judaica, conversão dos pagãos e realização do Concílio de Jerusalém. A quarta parte, Act. 15, 36-20,38, é sobre as grandes viagens missionárias, fundação das Igrejas na Grécia/Ásia, novas comunidades de Filipos, Tessalônica, Bereia, Corinto e Éfeso, confronto com a cultura Grega, as autoridades e estruturas do império. A quinta parte, Act. 21,1-28, 31, é sobre a prisão de Paulo que é considerado prisioneiro de Cristo.

OS APÓSTOLOS EM ACTO(S)

Primeiramente encontramos as últimas recomendações que Jesus faz aos seus discípulos, culminando na sua ascensão aos céus. Escolhido Matias, para o lugar de Judas e estando todos no mesmo lugar desce sobre eles o Espírito Santo em forma de línguas de fogo permitindo-lhes falar várias línguas. Fortalecido pelo Espírito, S. Pedro anuncia Jesus Cristo convidando todos os que o ouviam a converterem-se, e muitos se converteram. Em Jerusalém toda a acção de Pedro e dos Apóstolos era de evangelização também através de milagres em nome de Jesus. Assim, foram algumas vezes açoitados e presos, interrogados pelo Sinédrio sem nunca deixarem de anunciar o ressuscitado. Foram escolhidos sete homens para o serviço das mesas, para que os discípulos se dedicassem apenas à palavra. Um desses, chamado Estêvão, depois de ter afirmado de forma veemente a sua fé Naquele que completava toda a escritura foi martirizado, fruto de uma perseguição a todos esses que seguiam Jesus. Assim muitos se dispersam iniciando-se a expansão do Cristianismo para fora dos limites de Jerusalém. Com a conversão do etíope e de Paulo, perseguidor da Igreja, vemos que a Igreja se vai estendendo ao mundo. Pedro anunciava Cristo aos judeus fazendo também milagres, enquanto que Paulo fundava novas Igrejas, fruto das suas viagens missionárias. Entre a primeira e a segunda viagem, Paulo vai a Jerusalém pois questionava-se a obrigatoriedade ou não da circuncisão para os neo-convertidos. Findas as suas duas viagens, Paulo é preso no templo. Declarando-se cidadão Romano apela a César, para que este o julgue. Assim, vai para Roma ficando em prisão domiciliária durante dois anos. Aí, não deixava de ir ensinando e anunciando "o que dizia respeito ao Senhor Jesus Cristo".

09/03/2007

Um olhar sobre os Actos dos Apóstolos


Os actos dos Apóstolos é uma obra única no Novo Testamento, de grande valor histórico, embora aceite convenções da época: principalmente o gosto pelo maravilhoso e os discursos na boca dos personagens. Quanto aos personagens dois protagonistas actuam sucessivamente em primeiro plano: Pedro na primeira parte (Cap. 1-12), enquanto se consolida a Igreja de Jerusalém; Paulo, que vai promovendo a difusão do Evangelho pela Ásia, Europa e até Roma.
O material narrativo pode ser catalogado em relatos, discursos e somatórios. Ocupam grande espaço os processos, que são relatos com discursos incluídos. Assistimos no relato à consolidação, expansão e crescimento da Igreja, em muitas Igrejas ou comunidades locais que formam a grande unidade. Primeiro, tem a primazia a de Jerusalém, onde tudo começou; depois, toma a frente a de Antioquia. A expansão não é só geográfica: é principalmente um ir penetrando e ganhando adeptos no território e cultura pagãos; é ao mesmo tempo um desprender-se, não pretendido, do judaísmo. Esta é uma constante do livro que culmina na última página, em Roma.
A organização das Igrejas é fluida, com um corpo dirigente local de “anciãos” (em grego presbyteroi); os apóstolos têm a responsabilidade e a autoridade superior; ao seu número somam-se Matias, Barnabé e Paulo. Existe uma constância de vida sacramental e litúrgica: baptismo e Eucaristia, imposição das mãos, celebrações; e com isso a instrução catequética.
Nas cenas íntegras e em detalhes significativos, os Actos dos Apóstolos são cumprimento de um mandato de Jesus, eco de um ensinamento, repetição ou reflexo de uma acção.



Hélder Gouveia
110101045

ACTOS DOS APÓSTOLOS EM POUCAS PALAVRAS

O livro dos Actos dos Apóstolos narra uma série de episódios relacionados com a origem da Igreja, desde a Ascensão do Senhor até ao primeiro cativeiro de Paulo em Roma. No capítulo Introdutório (Capítulo I), são narrados os acontecimentos anteriores ao início da actividade missionário dos Apóstolos, desde o dia da Ascensão até Pentecostes.
Nos capítulos 2 a 12, que tem por figura central Simão Pedro, descreve os primórdios da Igreja em Jerusalém, Samaria, Antioquia e o início da evangelização dos gentios em território da Palestina. Nesta parte, inserem-se o relato do martírio de Estêvão e a conversão de São Paulo.
A partir de capítulo 13 a 21,16 tem por figura central o apóstolo Paulo do qual descreve as três viagens missionárias. Insere-se nessa parte a história do Concílio de Jerusalém, no qual reaparece mais uma vez a figura de Pedro como chefe do colégio episcopal. A partir do capítulo 21,17 até ao fim, narra as vicissitudes de Paulo como prisioneiro, primeiro em Jerusalém, depois em Cesareia. Em seguida a sua vagem marítima para Roma.
O livro dos Actos dos Apóstolos termina com a informação de cativeiro de Paulo na capital do império que durou dois anos.