24/03/2007
O filho da irmã de Paulo (Act 23, 16)
Não é loucura, mas se tivesse tempo (essa coisa preciosa!), acho que me aventurava a tentar ler os Actos e as cartas de Paulo, com uma lupa à procura de familiares...uma genealogia de Paulo seria interessante! Bom, esqueçamos Paulo que é demasiado visível e vamos saber (ou não) quem será este sobrinho...
Sabemos que tudo isto se passa em Jerusalém, mas não há muitos elementos que nos digam algo deste jovem... judeu, provavelmente, seria e o facto de ter conhecimento da cilada que haviam preparado a Paulo, leva a crer que teria algum contacto com eles ou com alguém próximo...
Parece ter também confiança ou alguma relação com os centuriões, pois estando Paulo na condição de preso, estranha-me que o filho da irmã possa com todo o à vontade entrar na fortaleza, prevenir Paulo e ainda mais, por mandato deste ao centurião, ser conduzido ao tribuno. Não me passa também despercebido o modo como o tribuno o recebe, criando um espaço de maior reserva para escutar o que este jovem tem a dizer, dando crédito à sua mensagem.
O sobrinho da irmã de Paulo poderá ser, eventualmente, um daqueles convertidos ao nome de Jesus e que pertenciam à "Via". Um cristão que é, não direi anonimamente, mas de quem não se conhece muito da sua identidade, e que em alguma circunstância assume um papel que só a ele compete...e que comprometer-se ou não, fazer ou não fazer aquilo que tem de ser feito por ele, não é indiferente, nem de somenos importância mas antes, faz toda a diferença!
Quem conduziu a missão de Paulo para Filipos?
Trôade, Samotrácia, Neápolis e finalmente Filipos “cidade principal daquela região da Macedónia e também colónia romana” (16,12). Estamos perante a primeira visita, que se conhece, de missionários cristãos ao continente europeu. Foi aqui que passaram alguns dias e que Paulo conheceu Lídia e lhe anunciou a Palavra, nascendo a comunidade cristã em Filipos.
Em conclusão, é o Espírito Santo que conduz a Igreja, que fecha e abre caminhos segundo o projecto de Deus, que assiste a Igreja para que proclamem a Palavra com coragem e liberdade, sem medos!
22/03/2007
Félix e Drusila sua mulher
Estando Paulo preso, chega Félix (António Félix, irmão de Palas, ministro de Nero, procurador da Judeia de 52 a 59/60. Na verdade parece ter sido um governador violento) e sua mulher, Drusila (judia, que tinha desposado o rei de Emessa para depois se juntar com Félix, portanto divorciada, filha mais nova do rei Agripa I, irmã do rei Agripa II, irmão mais velho, e de Berenice) e chamando Paulo quis ouvi-lo falar acerca da fé em Jesus Cristo, uma vez que tinha obrigatoriamente de ouvi-lo “plenamente” (Diakousomai – Act 23,35) já que como oficial romano ia julgar uma pessoa recomendada por carta.
O propósito desta entrevista não parece ter sido judicial uma vez que vinham ouvir Paulo “acerca da fé em Jesus Cristo”. Dá a entender sim que Paulo o faz tal, mudando as posições entre si mesmo e Félix, tomando-o juntamente à sua mulher, conduzindo-os ao tribunal de Deus, falando-lhes da justiça, castidade, isto é, a continência, e do julgamento futuro. É interessante perceber que em vez de ser julgado Paulo por Félix, é Félix que juntamente com Drusila são julgados por Paulo. Dá a entender que Paulo não temeu Félix mas que este acabou por temer a Palavra de Paulo, (“Por agora, podes ir. Chamar-te-ei na primeira oportunidade”) sabendo que o casal era bastante assíduo ao pecado, que não eram castos, responsáveis perante Deus e no juízo final e eterno.
Contudo o seu temor, religiosamente, pouco valor teria. Mostra a apreensão cobarde do perigo, mas de pouco arrependimento. Temeu como teme o ladrão quando é apanhado. Relativamente a Drusila, é um atrevimento dizê-lo, mas tudo leva a crer que esta não temeu as palavras de Paulo como Félix, podendo aludir a um paralelismo analógico entre o episódio de Herodes e sua mulher no tratamento de João Baptista. Também Félix como Herodes fazia com João, “mandava chamar Paulo frequentemente, para conversar com ele”, ainda que fosse na esperança deste lhe dar dinheiro
Estas duas personagens selam não só a missão de Paulo testemunhar a fé em Jesus Cristo, mas também falar da justiça, continência, e julgamento futuro.
Encontraremos Félix e Drusila na contemporâneidade?
Mas quem é Barnabé?
Perante o medo dos discípulos face a Saulo convertido, Barnabé leva-o (“agagen”) à presença dos Apóstolos. Act 9, 27-30.
Barnabé é enviado a Antioquia, Act 11, 20-26, para ver o resultado do anúncio dos cristãos espalhados após a perseguição. Nesta ocasião Barnabé é caracterizado por ser um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. Aproveita e leva (“agagen”) Saulo de Tarso para Antioquia onde estiveram um ano.
Barnabé representa a comunidade de Antioquia, Act 11, 30, tal como Saulo, quando levam dinheiro à comunidade de Jerusalém. Ordenados pelo Espírito Santo, Barnabé e Paulo vão juntos para a primeira viagem missionária, Act 13, 1-3, a partir de Antioquia. Nesta primeira viagem fizeram muitos discípulos, exortaram a permanecerem firmes na fé, e enfrentar as dificuldades na esperança do reino de Deus.
Barnabé acompanha Saulo a Jerusalém aquando da discussão dos circuncisos. Ao regressar a Antioquia dá-se a discussão entre Barnabé e Paulo por causa de João Marcos. O resultado desta discussão é a separação de Paulo e Barnabé. É também a última referência de Barnabé, em Actos. Act 15, 36-41.
Podemos verificar no próprio texto a importância de Barnabé na comunidade de Jerusalém e o seu gradual desaparecimento em benefício de Paulo.
Barnabé é o mediador entre duas comunidades Jerusalém e Antioquia, é companheiro inseparável de Paulo até à discussão que tiveram. É aos olhos de Lucas um cristão e um homem de transição para uma nova realidade, Paulo.
Públio, o Primeiro da ilha
Nicanor, um dos sete
Nicanor, aparece uma única vez no Livro dos Actos dos Apóstolos, quando os discípulos escolhem os "sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de Sabedoria"(Act.6, 3). Nicanor faz parte dos sete instituídos para o "serviço às mesas". Os nomes gregos que o capítulo sexto apresenta leva a pensar que os sete diáconos eram helenistas. Mas, nesta altura, os hebreus podiam ter nomes gregos, o que nos leva a colocarmos algumas reticências sobre a sua origem. Nicanor, escolhido pela assembleia, fazia então parte do grupo dos "diáconos", onde a sua tarefa radica na palavra e no serviço.
Para além do Livro dos Actos dos Apóstolos, os livros de Macabeus dão-nos mais informações sobre quem é Nicanor. Este era filho de Patroclo e um dos primeiros amigos do Rei (2 Mc. 8, 9), foi enviado para a Judeia com homens de todas as nações para exterminar toda a raça Judeia.
Nicanor era um dos escolhidos por Lísias (1 Mac.3, 38), dedicou parte da sua vida a venda de prisioneiros judeus (2 Mac. 8, 10). Foi designado por Demétrio para governador militar da Judeia (2 Mac. 14, 14). Residiu em Jerusalém em parte da sua vida teve, como grande companheiro Judas a quem tinha uma grande amizade.
