26/03/2007

A ESCRAVA QUE TINHA UM ESPÍRITO PITÓNICO

Com as devidas autorizações anuncio hoje que vou mudar de personagem: vou deixar Cornélio e escolho “a escrava que tinha um espírito pitónico”, que nos aparece em Actos 16, 16-18.
Espero assim dar mais espaço aos especialistas e demais estudantes que elegeram Cornélio como sua personagem de referência.
Por agora fica só a indicação… mais tarde apresentarei o estudo que tiver feito sobre esta escrava com a qual Paulo fica enfadado!

Paulo na companhia de Silas

Silas ocupa um lugar importante nos Actos dos Apóstolos. Quem era este personagem já o referi no primeiro post. Pela sua importância, Silas é bem mais um personagem intermediário do que um personagem secundário. Destaco aqui a sua companhia a Paulo na segunda viagem missionária. Paulo escolheu Silas por companheiro de viagem para a missão na consequência de “uma discussão tão violenta” (Act 16, 39) com Barnabé. Assim, a função de Silas enquadra-se nesta viagem missionária de Paulo. Podemos ver isto nas referências onde os dois são mencionados juntos: Paulo e Silas atravessaram a Frigia e o território da Galácia (16, 6); o anúncio da Boa-Nova em Macedónia (16, 10); foram presos em Filipos (16, 19-34) e em Tessalónica algumas pessoas ficaram convencidas das suas pregações e reuniram-se a eles (17, 4) como também em Bereia (17, 11-12). Portanto, Silas foi um daqueles que ajudaram a Paulo na evangelização e no testemunho da Boa Nova de Jesus e da Sua ressurreição, na formação e na consolidação das comunidades cristãs fora de Jerusalém.

Agripa respondeu a Paulo:"Por pouco não me persuades a fazer-me cristão" Act 26, 28

Paulo é levado perante o Rei Agripa II para ser ouvido, estando ainda presentes na sala de audiência várias pessoas notáveis da cidade, e para que Festo, possa ter matéria de acusação para o enviar a Roma.
Parece que Lucas se serve também deste discurso de Paulo ante o Rei Agripa, para dar cumprimento ao que Deus diz a Ananias sobre Paulo aquando da conversão deste, em Act 9, 15: “Vai, pois esse homem é instrumento da minha escolha para levar o meu nome perante os pagãos, os reis e os filhos de Israel.” Como Paulo já tinha levado o nome de Jesus aos filhos de Israel e aos pagãos, faltava levá-lo a “reis”.
É fabuloso este discurso de Paulo perante Agripa, que começa como uma defesa sua, conta pela 3ª vez a sua conversão e termina como um testemunho missionário, que apresenta o Cristianismo como a plenitude das Escrituras.
Paulo dirige-se especialmente ao Rei porque sabe que ele é um judeu informado, que acredita nos Profetas e conhece a crença dos fariseus na ressurreição dos mortos.
Agripa II não parece ter aversão ao cristianismo, como seu pai, Agripa I.
E, como ele próprio diz, quase se converte. Mas mesmo que esteja a ser irónico, pelo menos converte-se a Paulo pois acaba afirmando juntamente com Festo que ele “nada fez que mereça a morte ou os grilhões”. E ainda: que ele poderia ser posto em liberdade, “se não tivesse apelado para César”.
Lucas quer levar Paulo até Roma, pois é essa a vontade de Deus, como ele mostra antes em Actos e para dar cumprimento ao que diz no início do Livro, de que o testemunho de Jesus chegará “até aos confins do mundo”.

25/03/2007

APOLO - BIBLIOTECA - SER PROFETA

Como sabemos que Apolo era um Judeu de religião, um Alexandrino de sangue e um Corintio e Éfeso de vocação. Vivia a maior parte da sua vida em Alexandria. Ora, a Alexandria era uma cidade de famosa biblioteca e de rica literatura. Segundo o testemunho, as literaturas e a grande biblioteca que lá existem são grandes patrimónios importantes de Alexandria. Coloquemos a questão: o que tem a ver com a figura de Apolo?.
Segundo o texto "Occidental" e na sua biografia, Apolo era conhecido como alguém que se apaxionou muito pela literatura. A Sagrada Escritura era uma das leituras de comum e ocupava as instantes da Bíbliotca. Testemunhou-se que o "Caminho" de Apolo foi aberto pelo conteúdo da Sagrada Escritura e, o seu sentido da vida foi iluminada pela Palavra de Deus, mas como Ele ainda não tinha sabido acerca do baptismo no Espírito Santo fazia portanto, com que o seu conhecimento de Jesus não fosse completo.
É desta sua relação com a biblioteca de Alexandria que se pode dizer que a fé e o conhecimento de Apolo acerca de Jesus e a sua vocação de ser profeta em Éfeso e Corintio não era por causa de ter recebido a revelação especial de Deus como Pedro e Paulo, mas sim, pela sua interesse pessoal de conhecer Jesus através da literatura comum e, especilamente pela Sagrada Escritura, para além da pregação dos Apóstolos itinerantes.

O Rei Agripa II

Situando historicamente esta personagem que aparece nos caps. 25 e 26 dos Actos dos Apóstolos, podemos dizer que é filho do Rei Herodes Agripa I, cuja morte é relatada em Act 12,23 e irmão das princesas Berenice e Drusila. Ele viveu entre 27 e 93d. C. e neste tempo a Palestina era governada por um Procurador Romano. Ele tornou-se Rei de um pequeno principado de Cálcis (Líbano) e em 53 de uns territórios do seu tio Filipe, a nordeste do Lago de Tiberádes, e mais tarde ainda de outros centros na Galileia. Mesmo sendo judeu, e conhecendo bem todos os costumes e controvérsias dos judeus, foi colaborador incontestável dos romanos. E por isso, vêmo-lo neste episódio de Actos a visitar o Procurador Romano Pórcio Festo, que tinha acabado de tomar posse.
É nesta altura também que Paulo se encontra preso por múltiplas acusações que lhe haviam feito os judeus em Jerusalém e que agora em Cesareia, às ordens de Festo, que já o tinha ouvido e que lhe havia proposto ser julgado em Jerusalém, o que Paulo recusou e, em consequência, apelou para César, aguardava ser enviado a César.
É interessante perguntar porque é que o narrador lucano faz aparecer esta personagem, que apesar de secundária, está presente em dois capítulos da sua obra?
Uma das respostas poderá ser a vontade de Lucas de criar um paralelo entre Jesus Cristo e Paulo. Assim como Jesus foi apresentado, no seu julgamento, ao Rei Herodes Antipas, Também Paulo, no seu julgamento é levado a ser ouvido perante este Rei judeu, Agripa II, que havia manifestado a Festo a vontade de o ouvir.
E como isto já está grande, deixo para cenas dos próximos capítulos…

Comentário aos Posts

Tenho passado uma parte do fim de semana a ler os posts e a fazer o meu a respeito do personagem secundário. Posso dizer que gostei em geral de todos e que tenho aprendido bastante com este exercício. mas dá trabalho que se farta!

O aleijado ou o Coxo de nascença ou o coxo desde o ventre materno.

Os actos dos seguidores de Jesus dão continuidade aos actos do próprio Jesus. A cura de coxo de nascença nos faz lembrar muitas curas operadas por Jesus. Por exemplos as curas do coxo da piscina de Betzadá (Jo5,3s; Mt9,1-8; Mc2,1-12; Lc5,17-26), do cego de nascença (Jo9,1s; Mt9,27-31; 20,29-34 Mc8,22-26; Lc18,35-43).
Os Apóstolos depois de receber o Espírito Santo vão operar o seu primeiro milagre curando o aleijado colocado à porta Formosa. Não se sabe o nome do coxo aliás o relato não o mencionou. O não mencionar o nome do aleijado faz-nos pensar que o narrador de Lucas quis nos levar para além desta cura, isto é, para o Nome em que se curou este homem. O narrador lucano centra a sua atenção no nome de Jesus. Os Apóstolos João e Pedro pela voz de Pedro vão deixar claro que esta cura foi realizada no Nome do Santo, Justo, o príncipe da Vida. “ Pela fé no seu Nome, este homem que vedes e conheceis, recobrou as forças. Pela fé que dele nos que curou completamente este homem na vossa presença” Act3,16; portanto esta obra só se realizou através da fé que eles têm neste Nome. A cura pôs em destaque a fé dos apóstolos e ao mesmo tempo a consolidou. Ela (a cura) levou os Apóstolos a pregar com vivacidade e firmeza a Palavra fazendo elevar o número dos crentes a cinco mil. Este milagre está carregado de sentido. Em termo de lugar vamos assistir a uma deslocação, dum lugar de não culto para um lugar de culto, do impuro para o puro. Do fora de lugar para o Lugar (Templo) onde se vai louvar Deus. Deste modo, o primeiro milagre de Pedro e João vai se colocar na linha do universalismo do Reino de Deus.